Especialista explica como biodiesel e políticas públicas vão fortalecer a transição energética brasileira.

O avanço do projeto “Combustível do Futuro” marca uma virada no cenário de energias renováveis no país. Em entrevista exclusiva, Donizete Tokarski, diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene, destacou que o Governo Federal enviou ao Congresso um projeto estratégico para ampliar a participação dos biocombustíveis, especialmente o biodiesel, na matriz energética nacional.

Segundo Tokarski, além do projeto do Executivo, tramita também o projeto de lei de descarbonização da matriz proposto pelo Congresso, indicando esforços conjuntos para acelerar a adoção de combustíveis sustentáveis. Está prevista a ampliação da mistura de biodiesel no diesel fóssil dos atuais 12% para 15% em até 90 dias, podendo antecipar este percentual para 2026 ou antes, com possibilidades de novas elevações, chegando até B20 (20% de biodiesel), acompanhando países líderes nesse segmento.

Tokarski enfatizou que o setor tem capacidade instalada para produzir cerca de 14 bilhões de litros de biodiesel por ano, demonstrando plena aptidão para atender demandas crescentes do mercado. Ele defendeu a previsibilidade e a segurança jurídica para o setor através de um cronograma anual fixo das misturas obrigatórias, trazendo estabilidade e esperança de novos investimentos industriais e tecnológicos.

Além do impacto econômico, Tokarski salientou múltiplos benefícios sociais e ambientais do biodiesel, como melhoria da qualidade do ar, redução das importações de diesel fóssil, geração de emprego e renda regional e fortalecimento da cadeia da soja nacional. Hoje, o Brasil exporta cerca de 100 milhões de toneladas de soja em grão por ano, e ao agregar valor via biodiesel, impulsiona indústria nacional e gera novas oportunidades.

O especialista destaca ainda a importância do controle de qualidade do biodiesel, tema já previsto em projetos de lei, garantindo desempenho e confiança para caminhoneiros e consumidores. Ele lembra que o país já conta com 59 indústrias de biodiesel em operação em 15 estados, e que políticas públicas sólidas permitirão reabrir usinas fechadas e estimular tecnologias inovadoras, inclusive para diesel verde e bioquerosene.

A entrevista também abordou a liderança do Brasil junto à Aliança Global dos Biocombustíveis, lançada recentemente durante cúpulas internacionais, e o papel proativo que o país pode exercer no combate às mudanças climáticas, geração de energia limpa e exportação de conhecimento e tecnologia para outros mercados. Tokarski concluiu reforçando a necessidade de políticas integradas, previsíveis e de inclusão do biodiesel na legislação do Combustível do Futuro.

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