O seminário cadeia produtiva proteína Brasil será palco de discussões fundamentais sobre o futuro do agronegócio nacional. Em entrevista exclusiva ao programa Energia Agro, Marcelo Osório, diretor de relações institucionais da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), revelou como o Brasil se consolidou como maior exportador mundial de frango e quarto maior produtor de carne suína.
Com mais de 30 anos de experiência no setor, Osório destacou que o país produz 15 milhões de toneladas de aves por ano, sendo que 65% da produção abastece o mercado doméstico. Os números impressionam: 38% do frango comercializado mundialmente é brasileiro, representando 4 de cada 10 quilos consumidos globalmente.
O seminário cadeia produtiva proteína Brasil, que acontecerá no dia 21 de agosto na CNA, promete abordar os desafios e oportunidades de um setor que gera mais de 4 milhões de empregos diretos e indiretos, demonstrando a importância estratégica da proteína animal para a economia nacional.
Cadeia produtiva proteína Brasil: Oportunidades 2025
Representatividade e Abrangência do Setor
A ABPA representa todo o ecossistema da cadeia produtiva proteína Brasil, incluindo avicultura, suinocultura e produção de ovos. Com mais de 140 associados, a entidade congrega desde agroindústrias até fornecedores de equipamentos, laboratórios e empresas de genética.
“A ABPA basicamente representa todo o setor da avicultura, da suinocultura e da produção de ovos do Brasil. É a maior entidade, muito robusta, que representa todas as agroindústrias e empresas relacionadas com o setor de produção de proteína animal”, explica Osório.
Números que Impressionam na Cadeia Produtiva
Dados da Avicultura Brasileira:
- 15 milhões de toneladas produzidas anualmente
- 46 kg per capita de consumo doméstico
- Terceiro maior produtor mundial
- Maior exportador mundial
Suinocultura em Crescimento:
- Quarto maior produtor mundial
- Quarto maior exportador global
- 1,5 milhão de toneladas previstas para exportação em 2025
- 18,5 kg per capita de consumo interno
Desafios da Infraestrutura na cadeia produtiva proteína brasil
Modernização Logística e Portuária
O seminário cadeia produtiva proteína Brasil deve abordar os gargalos logísticos que ainda limitam o potencial exportador. Osório destaca que a concentração da produção no Sul e Sudeste exige investimentos em infraestrutura especializada para cargas congeladas.
Avanços Tecnológicos Implementados:
- CSN Digital: Certificação Sanitária Nacional automatizada
- CSI Digital: Certificado Sanitário Internacional em desenvolvimento
- SDA Digital: Sistema da Secretaria de Defesa Agropecuária modernizado
“Toda essa logística precisa ser focada em containers e caminhões frigoríficos, nos armazéns dos portos, para agilizar o carregamento dos navios. Quanto mais ágil for esse processo, mais competitivo nosso produto chegará ao exterior”, enfatiza o diretor da ABPA.
Desafios Legislativos e Regulatórios
O setor enfrenta questões trabalhistas específicas, como:
- Modernização das leis trabalhistas
- Regulamentação da pausa térmica
- Normas para trabalho em ambiente frio
- Segurança jurídica nos processos
Integração entre proteína animal e biocombustíveis
Complementaridade dos Setores
Contrariando percepções de competição, Osório esclarece que a cadeia produtiva proteína Brasil é 100% complementar à produção de biocombustíveis:
“Quando a gente pega as carnes, é muito melhor transformar aqueles grãos em proteína animal e exportar esse valor agregado do que mandar o grão in natura. São setores complementares e importantíssimos.”
Benefícios da Integração:
- 70% da ração é composta por farela de soja e milho
- DDG do etanol de milho pode ser aproveitado na alimentação animal
- Farelo de soja (45% de proteína) é fundamental para a ração
- Subprodutos da proteína animal podem gerar biodiesel
Sustentabilidade e Economia Circular
A Associação Brasileira de Reciclagem Animal gerencia os resíduos orgânicos da produção, demonstrando o compromisso do setor com a sustentabilidade. Parte do óleo de frango é reaproveitada na própria ração, enquanto outra parcela pode ser destinada ao biodiesel.
Mercado global e oportunidades de exportação
Diversificação de Mercados
O Brasil exporta proteína animal para mais de 150 países, mantendo um equilíbrio estratégico entre mercados:
Principais Destinos (Frango):
- China e Japão (mercados asiáticos)
- Emirados Árabes e Arábia Saudita (mercados árabes)
Otimização Cultural da Produção
A diversificação permite aproveitar diferenças culturais alimentares:
- Pés de frango: Altamente valorizados na China
- Coração de frango: Tradicional no Sul do Brasil
- Cortes específicos: Adaptados às preferências regionais
“Praticamente 38% do frango comercializado no mundo é brasileiro. De cada 10 quilos comercializados globalmente, 4 vêm do Brasil”, destaca Osório.
Oportunidades de emprego no setor
Mercado de Trabalho Aquecido
O setor oferece mais de 25 mil vagas em aberto, demonstrando o dinamismo da cadeia produtiva proteína Brasil:
- Desenvolvimento regional: Frigoríficos impulsionam IDH local
- Capacitação profissional: Setor investe em qualificação
- Estabilidade: Crescimento constante da demanda
“Onde há frigorífico, onde há produção de proteína animal, há desenvolvimento humano, renda e emprego”, afirma o diretor da ABPA.
Perspectivas para o futuro da cadeia produtiva
Potencial de Crescimento
O seminário cadeia produtiva proteína Brasil deve explorar as oportunidades de expansão:
Mercado Interno:
- Aumento do consumo de carne suína
- Crescimento da cultura fitness e proteína
- Valorização nutricional dos ovos
Mercado Externo:
- Abertura de novos mercados
- Consolidação da liderança mundial
- Superação de barreiras sanitárias
Regulamentação e Modernização
Prioridades do Ministério da Agricultura:
- Lei do Autocontrole: Regulamentação em fase final
- Modernização digital: Redução da burocracia
- Linhas de crédito: Inovagro e Moderagro para o setor
Conclusão: O futuro da proteína animal brasileira
O seminário cadeia produtiva proteína Brasil representa uma oportunidade única para discutir o futuro de um setor estratégico. Com vocação natural para a produção de proteína animal, o Brasil possui todos os elementos para manter sua liderança global: clima favorável, disponibilidade de grãos, tecnologia avançada e sistema sanitário robusto.
A superação recente da gripe aviária demonstrou a resiliência e competência técnica do setor. Com mais de 4 milhões de empregos gerados e participação crescente nas exportações, a cadeia produtiva de proteína animal brasileira está preparada para os desafios futuros.
Participe do seminário no dia 21 de agosto na CNA e contribua para o desenvolvimento de um setor que orgulha o Brasil e alimenta o mundo.
Sobre o Entrevistado
Marcelo Osório é diretor de relações institucionais da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) há quase sete anos. Com mais de 30 anos de experiência no mercado de proteína animal, é reconhecido especialista em políticas públicas para o setor e relações comerciais internacionais. Natural do Rio Grande do Sul, Osório tem atuação destacada na modernização regulatória e na defesa dos interesses da cadeia produtiva brasileira de proteína animal.

