Crédito: FPBio

Seminário revela como biodiesel e etanol impulsionam desenvolvimento econômico sem comprometer segurança alimentar

Brasília, 21 de agosto de 2025 – O Brasil consolidou-se como referência mundial na produção sustentável de biocombustíveis, demonstrando que é possível conciliar segurança energética e segurança alimentar através de políticas públicas estruturadas. A conclusão foi apresentada durante seminário realizado na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), organizado pela Frente Parlamentar do Biodiesel.

O evento reuniu parlamentares, representantes do agronegócio e especialistas para debater o futuro da cadeia produtiva de biocombustíveis no país, com foco na integração entre produção de energia e alimentos.

Transformação do interior brasileiro

O deputado federal Alceu Moreira (RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, destacou como os biocombustíveis estão transformando o interior do país. “Hoje eu estou no palco do Brasil real, onde uma esmagadora de soja no interior cria economia circular, gerando empregos e dignidade para milhares de famílias”, afirmou.

Dados do Impacto Socioeconômico

Segundo estudos apresentados no seminário:

Sinergia entre biocombustíveis e proteína animal

A pesquisadora Nicole Rennó, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), apresentou dados que comprovam a complementariedade entre produção de energia e alimentos.

“Quando aumenta o esmagamento para biodiesel, automaticamente aumenta a oferta de farelo de soja, beneficiando toda a cadeia de proteína animal”, explicou Nicole. Os estudos revelam que:

Etanol de milho: Nova fronteira energética

O setor de etanol de milho emerge como exemplo de inovação sustentável. Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), destacou o crescimento exponencial do setor.

Números do Etanol de Milho

“Transformamos excedentes exportáveis de milho com dificuldade logística em valor agregado, economia, riqueza e empregos no interior”, afirmou Nolasco.

Sustentabilidade e descarbonização

O deputado Arnaldo Jardim (SP), presidente da Comissão de Transição Energética, enfatizou o papel dos biocombustíveis na descarbonização da economia.

“O biodiesel reduz entre 74% e 80% as emissões de carbono comparado ao diesel fóssil. Se o mundo fizesse o que o Brasil está fazendo, teríamos um avanço formidável no combate às mudanças climáticas”, declarou.

Marco Regulatório: Combustível do Futuro

A Lei do Combustível do Futuro estabelece:

Desafios e oportunidades

Crédito e seguro rural

Moreira identificou a necessidade de modernizar o sistema de crédito rural: “Nosso modelo de crédito é da década de 50. Precisamos de uma plataforma de crédito positivo onde produtores honestos tenham acesso facilitado ao financiamento”.

Abertura de mercados internacionais

O setor trabalha na diversificação de mercados para farelo e biocombustíveis:

Biomassa: Gargalo identificado

Maurício Buffon, da APROSOJA, alertou para um desafio emergente: “A questão da biomassa será um grande gargalo. Precisamos de parcerias para plantio de eucalipto e suprimento sustentável para caldeiras industriais”.

Integração estratégica

André Nassar, da ABIOVE, resumiu a estratégia do setor: “Cada ponto percentual de aumento no teor de biodiesel gera demanda de 3 milhões de toneladas a mais de esmagamento. Precisamos expandir mercados internacionais para farelo, protegendo a rentabilidade da indústria”.

Perspectivas para a COP30

O Brasil se prepara para apresentar na COP30 seus avanços em biocombustíveis como solução global para mudanças climáticas. O país é o único que exporta commodities mantendo mínimo de 20% de vegetação nativa preservada.

Próximos Passos

A Frente Parlamentar do Biodiesel anunciou a criação de um laboratório de inteligência estratégica para:

O seminário demonstrou que o Brasil desenvolveu um modelo único de economia circular no agronegócio, onde biocombustíveis e produção de alimentos se complementam, gerando desenvolvimento sustentável no interior do país.

“Não existe concorrência entre produção de energia e alimentos no Brasil. Aqui se produz soja para produzir alimento e energia”, concluiu Donizete Tokarski, da UBRABIO.