
Seminário revela como biodiesel e etanol impulsionam desenvolvimento econômico sem comprometer segurança alimentar
Brasília, 21 de agosto de 2025 – O Brasil consolidou-se como referência mundial na produção sustentável de biocombustíveis, demonstrando que é possível conciliar segurança energética e segurança alimentar através de políticas públicas estruturadas. A conclusão foi apresentada durante seminário realizado na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), organizado pela Frente Parlamentar do Biodiesel.
O evento reuniu parlamentares, representantes do agronegócio e especialistas para debater o futuro da cadeia produtiva de biocombustíveis no país, com foco na integração entre produção de energia e alimentos.
Transformação do interior brasileiro
O deputado federal Alceu Moreira (RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, destacou como os biocombustíveis estão transformando o interior do país. “Hoje eu estou no palco do Brasil real, onde uma esmagadora de soja no interior cria economia circular, gerando empregos e dignidade para milhares de famílias”, afirmou.
Dados do Impacto Socioeconômico
Segundo estudos apresentados no seminário:
- 6% do PIB nacional é movimentado pela cadeia da soja e biodiesel
- Mais de 2 milhões de trabalhadores estão envolvidos na cadeia produtiva
- 4 vezes mais PIB é gerado quando a soja é processada internamente versus exportação direta
- 15% da soja esmagada já é destinada à produção de biodiesel
Sinergia entre biocombustíveis e proteína animal
A pesquisadora Nicole Rennó, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), apresentou dados que comprovam a complementariedade entre produção de energia e alimentos.
“Quando aumenta o esmagamento para biodiesel, automaticamente aumenta a oferta de farelo de soja, beneficiando toda a cadeia de proteína animal”, explicou Nicole. Os estudos revelam que:
- 37% das oscilações no preço da ração são explicadas pelo preço do farelo
- Redução de 3,4% no preço do farelo a cada aumento do esmagamento
- 20% do volume e 30% do custo das rações é composto por farelo de soja
Etanol de milho: Nova fronteira energética
O setor de etanol de milho emerge como exemplo de inovação sustentável. Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), destacou o crescimento exponencial do setor.
Números do Etanol de Milho
- 27% da produção nacional de etanol em apenas 7 anos
- 20 milhões de toneladas de milho demandadas anualmente
- 6 milhões de toneladas de ração devolvidas ao mercado
- Projeção de dobrar a produção para 20 bilhões de litros
“Transformamos excedentes exportáveis de milho com dificuldade logística em valor agregado, economia, riqueza e empregos no interior”, afirmou Nolasco.
Sustentabilidade e descarbonização
O deputado Arnaldo Jardim (SP), presidente da Comissão de Transição Energética, enfatizou o papel dos biocombustíveis na descarbonização da economia.
“O biodiesel reduz entre 74% e 80% as emissões de carbono comparado ao diesel fóssil. Se o mundo fizesse o que o Brasil está fazendo, teríamos um avanço formidável no combate às mudanças climáticas”, declarou.
Marco Regulatório: Combustível do Futuro
A Lei do Combustível do Futuro estabelece:
- Aumento gradual da mistura de biodiesel até B20 (20%)
- Expansão do etanol na matriz energética
- Desenvolvimento da cadeia do biometano
- Criação do SAF (combustível sustentável de aviação)
Desafios e oportunidades
Crédito e seguro rural
Moreira identificou a necessidade de modernizar o sistema de crédito rural: “Nosso modelo de crédito é da década de 50. Precisamos de uma plataforma de crédito positivo onde produtores honestos tenham acesso facilitado ao financiamento”.
Abertura de mercados internacionais
O setor trabalha na diversificação de mercados para farelo e biocombustíveis:
- 18 novos mercados abertos em dois anos para farelo de milho
- Mercado chinês aprovado para farelo de milho brasileiro
- Estratégia de comunicação internacional para produtos brasileiros
Biomassa: Gargalo identificado
Maurício Buffon, da APROSOJA, alertou para um desafio emergente: “A questão da biomassa será um grande gargalo. Precisamos de parcerias para plantio de eucalipto e suprimento sustentável para caldeiras industriais”.
Integração estratégica
André Nassar, da ABIOVE, resumiu a estratégia do setor: “Cada ponto percentual de aumento no teor de biodiesel gera demanda de 3 milhões de toneladas a mais de esmagamento. Precisamos expandir mercados internacionais para farelo, protegendo a rentabilidade da indústria”.
Perspectivas para a COP30
O Brasil se prepara para apresentar na COP30 seus avanços em biocombustíveis como solução global para mudanças climáticas. O país é o único que exporta commodities mantendo mínimo de 20% de vegetação nativa preservada.
Próximos Passos
A Frente Parlamentar do Biodiesel anunciou a criação de um laboratório de inteligência estratégica para:
- Coordenar políticas públicas decenais
- Monitorar mercados internacionais
- Integrar todos os elos da cadeia produtiva
- Fortalecer a comunicação sobre sustentabilidade brasileira
O seminário demonstrou que o Brasil desenvolveu um modelo único de economia circular no agronegócio, onde biocombustíveis e produção de alimentos se complementam, gerando desenvolvimento sustentável no interior do país.
“Não existe concorrência entre produção de energia e alimentos no Brasil. Aqui se produz soja para produzir alimento e energia”, concluiu Donizete Tokarski, da UBRABIO.

