Em um momento crucial para as discussões climáticas globais, o Brasil se prepara para sediar a COP30. Para analisar o papel do país neste cenário, o programa “Energia & Agro”, do Canal Agro+, conversou com uma das maiores autoridades e pioneiros dos biocombustíveis no Brasil: Juan Diego Ferréz, presidente do Conselho da Ubrabio e um dos responsáveis pela implantação da primeira indústria de biodiesel do país.

Ferréz defende que o Brasil não é apenas um participante na transição energética, mas um exemplo prático e poderoso de que um futuro com menos petróleo é possível e economicamente vantajoso.

A Era do Petróleo Acabou: É Hora de Reduzir para Salvar o Planeta

Apesar de o Brasil se beneficiar economicamente da alta do petróleo por conta de suas vastas reservas, Ferréz é categórico: a continuidade do uso irresponsável do combustível fóssil é insustentável.

“A era do petróleo (…) foi uma oportunidade que a humanidade teve de avançar. Mas, na verdade, nós estávamos criando um problema gravíssimo que está se evidenciando na crise do clima”, afirmou. “Isso está muito claro: tem que diminuir o petróleo e aumentar os biocombustíveis e outras fontes de energia renováveis.”

Segundo ele, o fim do petróleo não virá por sua escassez, mas pela “falta da possibilidade de usá-lo de forma desmedida”. Nesse contexto, a ciência é clara, e ignorá-la é um retrocesso perigoso.

A Mensagem do Brasil para a COP30: Menos Petróleo, Mais Biocombustível

Como anfitrião da COP30 em Belém, o Brasil tem a oportunidade única de liderar pelo exemplo. Para Juan Diego Ferréz, a mensagem deve ser direta e prática.

  1. Liderança e União: O Brasil deve liderar uma grande frente de nações que acreditam na ciência e na urgência da transição energética, contrapondo-se aos interesses que ignoram a crise climática.
  2. Exposição dos Ativos Nacionais: É preciso mostrar ao mundo a força dos “enormes ativos do Brasil”: Amazônia, sol, vento, biomassa e, principalmente, um agronegócio capaz de produzir energia limpa.
  3. A Mensagem Central: “Menos petróleo. E tudo biocombustíveis,” resumiu Ferréz.

Ele vai além e sugere uma demonstração prática: fazer com que os transportes utilizados durante a COP30, como ônibus e carros oficiais, utilizem altas misturas de biocombustíveis, como B25 (25% de biodiesel), e etanol. Seria a prova viva de que a solução funciona em larga escala.

Biodiesel Não Compete com Alimentos. Pelo Contrário, Ajuda a Produzir Mais

Ferréz foi enfático ao derrubar um dos mitos mais persistentes sobre os biocombustíveis: a suposta concorrência com a produção de alimentos. Ele explica que a realidade é exatamente o oposto, especialmente no caso da soja.

“Longe de pensar que concorre com alimentos. No caso da soja, para cada um quilo de óleo para usá-lo no biodiesel, quatro quilos de proteína vegetal vão alimentar os rebanhos”, detalhou.

Essa proteína (farelo) é a base da ração para aves, suínos e gado. Sem o mercado de biodiesel para absorver o óleo, a produção de farelo seria inviável, tornando as carnes mais caras e escassas. “O biodiesel está ajudando a alimentar o mundo”, concluiu.

O Futuro é o B25: Por Que o Biodiesel é a Melhor Alternativa para o Brasil

Questionado sobre outras alternativas ao diesel fóssil, como o HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado), Ferréz apresentou um argumento econômico contundente. Embora o HVO funcione, seu custo de produção é muito superior ao do biodiesel.

“Por que o Brasil deveria substituir um produto mais barato, que funciona muito bem, que é ecologicamente correto, que é limpo (…) e que custa mais barato? Não faz sentido”, argumentou.

Para ele, o caminho correto é continuar a rampa de crescimento da mistura, saindo dos atuais 15% (B15) em direção ao B25, um objetivo já delineado e tecnicamente viável. Essa trajetória gradual, segundo ele, é a forma mais inteligente e virtuosa de substituir o petróleo, fortalecendo a indústria nacional e gerando emprego e renda no campo.

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