Descubra como a canola está se expandindo pelo Cerrado com o apoio da Embrapa Agroenergia. Conheça o novo aplicativo para produtores, o potencial da macaúba e outras culturas que prometem diversificar a agricultura e impulsionar a bioeconomia no Brasil.
Em recente edição do programa “Energia & Agro”, do Canal Agro+, o consultor em bioeconomia Donizete Tokarski recebeu Dr. Bruno Laviola, Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, para um debate aprofundado sobre a diversificação de matérias-primas para alimentos e biocombustíveis. A conversa revelou avanços significativos no cultivo da canola e apontou para o futuro promissor de outras culturas, como a macaúba.
A Canola: Mais que uma Opção, uma Revolução na Segunda Safra
Um dos grandes destaques do programa foi a canola. Dr. Laviola explicou que a planta, hoje a terceira oleaginosa mais produzida no mundo, é um derivado melhorado da couza, desenvolvido para eliminar compostos tóxicos e gerar um óleo de altíssima qualidade.
“É um óleo excelente para a alimentação humana, inclusive, que ajuda no combate do colesterol, tem alta concentração de ácidos graxos insaturados e vitamina E”, destacou o pesquisador.
A cultura, já consolidada na Região Sul com quase 200 mil hectares e projeção de atingir 1 milhão até 2030, agora avança sobre o Cerrado. O trabalho da Embrapa tem sido fundamental para adaptar a espécie, tradicional de clima frio, às condições tropicais, similar ao que foi feito com a soja e o trigo no passado.
A canola se apresenta como uma solução estratégica para a rotação de cultura na safrinha, sucedendo a soja ou o milho. Seus benefícios são notáveis:
| * Quebra o ciclo de doenças que afetam as culturas principais. |
- Recicla nutrientes de camadas mais profundas do solo.
- Aumenta a rentabilidade do produtor na segunda safra.
Ferramentas para o Produtor: Aplicativo e Curso Gratuitos
Para apoiar os agricultores interessados, a Embrapa Agroenergia desenvolveu ferramentas práticas e acessíveis. “Lançamos um aplicativo chamado ‘Mais Canola’, onde o agricultor tem uma série de informações”, anunciou Laviola.
Além do app, a instituição oferece o curso EAD “Canola Sustentável”, totalmente gratuito e com certificação. A iniciativa visa capacitar o produtor para que ele possa cultivar a oleaginosa com a máxima rentabilidade.
Para quem busca crédito, Laviola trouxe uma notícia crucial: o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a canola no Cerrado já está disponível desde 2021. Este documento é a chave para que os bancos e agentes financeiros possam liberar financiamentos para a cultura com segurança.
Além da Canola: Um Leque de Oportunidades para Diversificação
O Brasil possui um vasto portfólio de oleaginosas com potencial para diversificar a matriz agrícola, hoje muito concentrada na soja. Laviola citou outras culturas promissoras que podem ser integradas na segunda safra, como:
| * Brássicas: Carinata e Mostarda. |
- Outras Oleaginosas: Girassol, Crâmbio e Cártamo.
O cártamo recebeu atenção especial por sua tolerância ao calor e seu óleo nobre, de alto valor agregado, sendo uma excelente opção para a agricultura irrigada no Nordeste, com um ciclo produtivo de apenas 90 dias.
O Gigante Adormecido: O Potencial das Palmeiras Nativas Brasileiras
O segundo bloco do programa focou nas palmeiras, com destaque para a macaúba, uma planta nativa do Brasil que está em fase de domesticação pela Embrapa.
Macaúba: A Próxima Grande Estrela do Agro Brasileiro?
Questionado sobre qual planta poderia ter um “boom” de crescimento, Laviola não hesitou: “A macaúba pode ser uma planta que vai ter um desenvolvimento agrícola bastante importante no país”.
Vista como a “palma de óleo do Cerrado”, a macaúba é uma cultura multifuncional, operando numa lógica de biorrefinaria, onde tudo se aproveita:
| * Óleo da Polpa: Ideal para biocombustíveis. |
- Óleo da Amêndoa: Nobre, destinado ao mercado de cosméticos.
- Farelo Proteico: Usado na nutrição animal.
- Casca: Utilizada para cogeração de energia.
Plantas selecionadas já começam a produzir em 5 anos e podem se manter produtivas por até 30 anos, integrando-se perfeitamente a sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
Explorando Maciços Nativos: Babassu, Buriti e a Necessidade de Políticas Públicas
O Brasil possui cerca de 20 milhões de hectares em maciços nativos de palmeiras como babaçu e buriti, que são subaproveitados. Para Laviola, a chave para destravar esse potencial é a criação de políticas públicas adequadas que estruturem arranjos produtivos locais, beneficiem as comunidades e promovam a exploração sustentável da nossa biodiversidade.
“A exploração sustentável da nossa biodiversidade evita o desmatamento”, concluiu, ressaltando que o conhecimento gerado pela Embrapa é fundamental para dar suporte a essa nova economia.

